Fisioterapia depois de um AVC: os primeiros meses contam
Por Sofia Lima
Depois de um AVC, a pergunta que as famílias nos trazem à clínica no Porto é quase sempre a mesma: “vai recuperar?”. A resposta honesta é que cada caso é diferente — mas há um fator que a investigação repete de forma consistente: começar cedo e treinar com intensidade suficiente faz diferença.
Porque os primeiros meses são decisivos
Nos meses seguintes ao AVC, o cérebro está particularmente recetivo a reorganizar-se — é a chamada neuroplasticidade. A fisioterapia neurológica aproveita essa janela com treino repetido, específico e progressivamente mais exigente das tarefas que importam: sentar, levantar, andar, usar o braço.
Como organizamos a reabilitação
- Avaliação inicial detalhada — força, equilíbrio, marcha e objetivos da pessoa e da família.
- Objetivos funcionais concretos — “andar até à padaria” orienta melhor o plano do que “melhorar a mobilidade”.
- Coordenação entre especialidades — quando há alterações respiratórias ou de deglutição, o plano é partilhado com as áreas respetivas da equipa.
- Envolvimento da família — o que se treina na sessão repete-se em casa, com orientação.
E quando o AVC já foi há mais tempo?
Também há margem de progresso mais tarde — sobretudo em objetivos específicos como a segurança na marcha ou a autonomia nas escadas. O ponto de partida é sempre uma reavaliação.
A informação deste artigo é geral e não substitui uma avaliação individual.